terça-feira, 30 de março de 2010

ás vezes a vida pega a gente de surpresa.

um solavanco no estômago, uma risada gostosa.
e a certeza de que tudo está em seu lugar.

quinta-feira, 11 de março de 2010

tempo de apagar as luzes, outra vez.

No dia 27/03, ás 20:30,
1 bilhão de pessoas no mundo inteiro
vão apagar as luzes durante 60 minutos!
Junte-se a esse movimento!

ajude a divulgar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

para honrar os ancestrais

Hoje fui com minha mãe visitar uma tia
de 98 anos que está doente. Estava lá, deitada
na cama, fraquinha, mas com os cabelos brancos
bem penteados, as unhas devidamente pintadas
e perfumada, afinal é preciso envelhecer com dignidade.

Impossível não me emocionar naquela casinha
de tantas lembranças, ao me dar conta de que estive
ali inúmeras vezes, olhando tudo sem ver.
Hoje pela primeira vez (!) prestei atenção em vários
detalhes, as fotos nas paredes, porta retratos antigos,
enfeites nas mesinhas, um armário tão bonito,
uma colcha, até bonecas. Detalhes pra mim,
pra ela objetos de valor inestimável,
que estão ali justamente por isso,
contando a história de uma vida.

Minha mãe sempre diz que a gente precisa cuidar
dos nossos velhos, sermos gratos por tudo que fizeram
por nós. Amar e cuidar deles, dar carinho, não só pais
e avós, mas tios e agregados queridos, dar assistência
física e emocional, principalmente. Hoje em dia as pessoas
estão tão ocupadas para se lembrarem dos seus idosos
e isso é tão triste.

Os velhos são tratados como inconvenientes, rabugentos,
por seus jovens descendentes igualmente inconvenientes
e rabugentos. A velhice é desnecessária, não existe mérito
em envelhecer. Num mundo de photoshop e juventude
a qualquer preço, onde a beleza é tudo, envelhecer
passou a ser vergonhoso e a velhice inoportuna é
cuidadosamente varrida para debaixo dos tapetes.
E ao escondermos nossos velhos vamos
nos escondendo de nós mesmos.

Viver uma vida toda se dedicando a alguém e no fim
ser esquecido apenas porque envelheceu. Ora, e não
envelheceremos todos um dia, de acordo com o curso
natural da vida? As mulheres da minha família costumam
viver muito, geralmente lúcidas e ativas.
Já pensou chegar aos 90 nessas condições, acompanhar
as mudanças no mundo durante quase um século, ter
tanto pra contar e não ter quem ouça, ou pior,
ter e não saber por onde andam filhos,
sobrinhos e netos, não ter notícias.

Quem não valoriza seus antepassados perde a oportunidade
de compartilhar experiências que são um tesouro
verdadeiro, bem mais real que bens materiais
ou o dinheiro que se acumula no banco.

Adorava ouvir os "causos" contados por meus avós,
risadas garantidas, lembranças de um tempo que não existe
mais, de quando as ruas eram mais tranquilas, as crianças
andavam soltas e assaltante era ladrão de galinha.
Minha vida não seria a mesma sem essas histórias
que hoje meus pais recontam para o meu filho,
e que eu adoro ouvir de novo e mais uma vez, e um dia,
se Deus quiser, hei de repeti-las para meus netos.

Acho fundamental saber de onde eu vim para
saber quem eu sou e assim tentar saber pra onde vou,
porque no fim das contas o mundo gira,
gira e a gente sempre volta pro mesmo lugar.

Qualquer tempo que tiver para estar com eles é
enriquecedor. Ouvir e conversar ou simplesmente
estar ali pode ser surpreendente. Pequenos momentos
de companhia fazem um bem enorme para quem recebe
e acredite, faz um bem maior ainda para quem dá.
Por mais que tentemos nos distanciar das nossas origens,
nossas origens nunca sairão de dentro de nós, assim como
as árvores nunca perdem suas raízes, por mais que seus
galhos cresçam e se aproximem do céu.

eu com meu bivô Zequinha, em 1977.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

tempo de ajudar



Todo mundo está acompanhando a situação
no Haiti. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha
estima que os terremotos podem ter afetado cerca
de três milhões de pessoas. Qualquer ajuda é
importante, não deixe de contribuir só por achar
que sua contribuição é pequena. Pra quem mora no Ceará,
a Cruz Vermelha Brasileira - Filial do Estado do Ceará
preparou uma campanha humanitária chamada
"Missão Haiti" e está recebendo doações.
Você pode contribuir com:
  • água;
  • gêneros alimentícios não-perecíveis;
  • materiais de primeiros socorros como: algodão, ataduras, esparadrapo, gaze, talas, soro fisiológico, luvas e máscaras descartáveis;
  • roupas e calçados;
  • material para o trabalho com as doações: fitas autoadesivas para empacotamento (transparentes), caixas de papelão e sacos plásticos.
As doações estão sendo feitas na sede da Cruz Vermelha:
Rua José Lourenço, 3280, Joaquim Távora
(por trás da Gerardo Bastos da Barão de Studart).
telefone: (85)34723535 / E-mail: cvbceara@cvbceara.org
Mais informações aqui.

.

Pra quem pode ajudar com dinheiro, a embaixada
do Haiti no Brasil está recebendo doações através
da conta corrente abaixo. Os recursos serão recebidos
diretamente pela embaixada e administrados por ela,
segundo o Banco do Brasil. Podem ser feitos depósitos
ou transferências de qualquer banco e até mesmo de
fora do Brasil para a conta corrente.
Não existe valor mínimo ou máximo para as doações.

Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
Conta corrente: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71

Se você não pode ajudar fazendo doações, ajude divulgando, ok?

"Que a dor não nos seja indiferente."


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

descobrindo Henry Miller

Ultimamente eu estou lendo mais que escrevendo
e aqui e acolá leio umas coisas que tenho vontade
de pôr aqui. Essa é uma delas.
Só pra não deixar o blog esquecido.

"Todo dia massacramos nossos melhores impulsos.
E é por isso que sentimos uma dor no coração sempre
que lemos as linhas escritas pelas mãos de um mestre
e as reconhecemos como nossas, como os tenros brotos
que sufocamos porque nos faltava a fé em nossos próprios
poderes, em nossos critérios de verdade e beleza.
Todo homem, quando se aquieta, quando é
desesperadamente honesto consigo mesmo,
pode proferir verdades profundas.
Todos derivamos da mesma fonte.
Não há mistério quanto à origem das coisas.
Todos somos parte da criação, todos reis, todos poetas,
todos músicos; precisamos apenas nos abrir,
para descobrir o que já estava lá."

Henry Miller.

*texto extraído do livro "Sexus"
surrupiado das estantes da minha
querida irmã andarilha.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

simples.

é preciso ser feliz todos os dias.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

quando me faltam palavras

















- preste muita atenção, mamãe!


só me resta agradecer.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

.

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas
usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer
os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos
lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa


terça-feira, 22 de setembro de 2009

tempo de fazer arte

Uma postagem curtinha só pra explicar
o porquê de tanto tempo sem ter tempo
pra escrever aqui. Tenho trabalhado em
um projeto muito legal com minha irmã,
que também é minha parceira nas artes.
Vale a pena conferir, clicando aqui e aqui.
Luz, paz & amor! Boa noite e até mais.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Na memória.

Quando eu tinha dez
ou doze anos li esse texto
em uma apresentação da escola, e
apesar da timidez e do nervosismo
ao ler em voz alta pra muita gente,
lembro de ter ficado bem impressionada,
pensando que a coisa fazia todo sentido.
Agora me deparei com ele por acaso,
num blog lindo de um amigo querido,
e não me furtei a dar um ctrlC/ctrlV.
Porque tem tudo a ver.
Grata, Rapha.




"O homem, bicho da terra tão pequeno

Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.

Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte — ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro — diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto — é isto?
Idem
Idem
Idem.

O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
Do solar a col-onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver."

Carlos Drummond de Andrade