sexta-feira, 9 de julho de 2010

para vinícius.


Hoje fazem trinta anos que Vinícius,
o poetinha, nos deixou. Na época eu só tinha quatro,
mas mesmo assim ele foi meu primeiro amor,
minha primeira paixão platônica e impossível,
chorei ao descobrir que já havia partido
quando me apaixonei.
Me fez viúva precoce.
Mas me fez também ver a poesia das coisas, todas elas,
e me mostrou o mundo romântico das palavras.
Já foi amor inocente, a descoberta, quando me via
a menina com uma flor.
Foi consolo para as dores de cotovelo ao longo do caminho,
quando ouvia ele cantar a beleza de sofrer por amor,
é melhor sofrer por amor que nunca ter amado.
Foi amigo e companheiro incentivando a me jogar
de cabeça numa paixão - não tenha medo, ora,
a vida só se dá pra quem se deu!
Que seja infinito enquanto dure, não é assim?
Me ajudou a continuar acreditando, quando achei
que nunca mais encontraria ninguém, depois da desilusão.
Ele dizia pra eu ter paciência, a vida é a arte do encontro,
embora haja tanto desencontro pela vida.
Então, hoje é amante, o marido que me perdoe.
(afinal ele sempre esteve ali me lembrando que
é preciso viver um grande amor,
além de emprestar suas palavras
para minhas próprias declarações)
Eu me rendi, há muito tempo.
Vinícius, meu amor atemporal.


'Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
Morar-te até morrer-te...'
O mais que perfeito, 1958

2 comentários:

Anônimo disse...

ô mulher... que palavras tenho eu diante disto?!

amo. & amo...

Mari

Lia de Paula disse...

eu me arrepio toda
bjs de luz